quinta-feira, 17 de março de 2011

"Não me diga para tomar cuidado, eu não sei amar mais ou menos. Quando eu decido, eu vou. Me entrego, me arrisco, vim ao mundo para sentir."


     Não sei, ontem era tudo tão igual, mas hoje os meus medos decidiram me visitar ao amanhecer. Senti algo que nunca mais havia sentido, e por um segundo tive uma vontade tremenda de fugir, fugir de casa, fugir das pessoas, fugir de mim. Não me contento com algumas lembranças, algo que foi perdido, e certas coisas aqui me incomodam, mas mesmo assim eu sigo de boca fechada aparentando estar muito bem, obrigada. Acontece, que senti uma puta vontade de mudar, de deixar a vida me levar pra onde ela achar melhor. Talvez eu poderia ir a Paris e realizar um grande sonho; ir a África e ajudar quem realmente precisa de mim; ir ao Caribe e viver da forma que eu sempre quis. Deu vontade de deixar tudo para trás e botar a cara no mundo, talvez pra nunca mais voltar. Nesse momento eu poderia ter pegado meu dinheiro, minhas roupas, meus documentos; mas simplesmente peguei um velho papel esquecido na gaveta, a primeira caneta que encontrei e escrevi, linhas e mais linhas de pura loucura minha: tolices que talvez nunca sejam ditas, segredos talvez nunca revelados, aventuras que nunca serão esquecidas. Fugi do mundo, da realidade, do concreto, do deserto de pessoas, da minha estupidez.Quando terminei, peguei o papel dobrei e joguei no fundo da gaveta, tomei um banho e voltei a velha vida de sempre.

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